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Mundo, Domingo, Maio 30, 2004
Quer mais radical que isso? Já foi uma prova de fogo aquelas refeições mexicanas... Depois foi o surf (lembre-se que, para um principiante, onda de 1 metro é "pipeline"...). E agora vocês querem que eu me vire em mais esportes radicais?? Tudo bem, Queenstown, Ilha do Sul, Nova Zelândia, aqui vamos nós!! Temos mais um dia pra organizar essa viagem - e tentar aproveitar um pouco o Havaí... Será que eu ainda me lembro das instruções do meu professor de surf? Vou arriscar!! Até a terra dos kiwis!! Pra você ter uma idéia do que está acontecendo... O Fantástico aqui no Havaí começou mais cedo... 13h30!! E nós estamos trabalhando! Confessa que, quando você escolheu o Havaí como nosso destino, você achou que nos daríamos muito bem... De fato, tivemos muitos momentos divertidos, como você vai ver nas reportagens. Mas, de resto... é trabalho... E duro! Como essa operação que estamos montando agora. Vamos ver se você consegue ter uma idéia. Estamos bem no coração de Waikiki, conectados num cybercafé (quer dizer, mais cyber que café, pois se alguém quiser tomar café por aqui, é melhor descer e ir até a esquina comprar...). Deste terminal que eu estou trabalhando, sai um cabo pela janela (estou numa sobreloja) em direção à loja de surf de uns brasileiros aqui na Kaiulani Avenue. Guilherme está lá em baixo com a câmera e outro computador. Nossa comunicação é de um jeitinho bem... brasileiro... Pela janela! Mas tá fucionando... estamos conectados com o Brasil, mandando imagens pela internet! O programa está no ar... É até engraçado pensar... Tudo está funcionando, mas eu ainda não completei o quadro: aqui no cybercafé, o quórum é surreal. Dois japoneses, um americano de Nova Jersey, os dois donos do café (uma mulher de uns 30 e poucos anos que diz que "não trabalha aqui", mas trabalha, e que se apresentou como "Beautiful" - Bonita! -; e seu sócio, um americano já quarentão, provavelmente ex-marine, que eu classificaria como... bipolar - tem dias que ele me trata como irmão, e tem dias que... bem, que eu tenho medo); e tem um cara que está completamente bêbado de cerveja - é domingo...- e que diz que está ajudando a gente, quando, como você pode imaginar, ele está fazendo exatamente o contrário... Por caridade, tirem esse cara daqui!! A situação é quase cômica. Daria pra rir se a gente não estivesse trabalhando... Como se não bastasse todos os detalhes da operação para que tudo dê certo (e, acredite, o número de coisas que precisam estar "em cima" pra que tudo dê certo, é incalculável), ainda tem os "imponderables"... (essa eu não vou traduzir não, pode procurar no dicionário, lição de casa...). Mas sabe que até que está divertido? Até porque, daqui a muito pouco tempo a gente vai saber pra onde você quer que a gente vá agora... Mal posso esperar... Já tô com saudades do Havaí...
Mundo, Sexta-feira, Maio 28, 2004 Das coisas que eu nunca achei que fosse fazer na minha vida... Mundo, Quinta-feira, Maio 27, 2004 De que ano é esse guia mesmo?? Lição (aprendida na prática) número 23 dessa viagem pelo mundo: não saia de casa com um guia antigo... Bem, até que o que eu tinha de Honolulu não era tão antigo assim... Era de 2002... Achei que fosse me ajudar. Mas, hoje de manhã, enquanto eu ia todo animado para assistor a um show de graça num parque aqui na cidade, que, segundo o guia acontecia todas as terças, quartas e quintas (seria um daqueles shows bem pra turista mesmo, havaianas, flores de plástico, "Aloha" escrito em letras garrafais, coreografia manjada - isso tudo segundo o guia -, mas mesmo assim eu queria assistir, e a razão eu explico mais abaixo), quando resolvi perguntar numa barraca de informação se estava indo na direção certa. "A direção está certíssima", me respondeu o havaiano. "Só que o show não existe há dois anos", completou. Fiquei frustradíssimo. Sério! Pois apesar do gosto duvidoso da suposta performance, isso seria um programa tipicamente havaiano. E isso é o que move essa cidade. Tudo parece que tem um selo de garantia escrito: "feito para agradar turistas". Nada é muito original. Ou melhor, nada é mesmo original. Tem horas que eu tenho a sensação que peguei um avião errado e desci em Orlando, na Flórida, num parque temático. Mas, preste atenção: isso não é uma reclamação! É uma constatação. O Havaí é assim: e se quiser aproveitar... Aloha!! Bem, na ausência de um showzinho, tinha de arrumar um outro programa pra fazer nessa manhã escaldante (bafinho de fim de tarde no Brasil perde...). E o que poderia ser mais convidativo do que uma caminhada ("escalada" talvez fosse o termo mais preciso) para o topo do vulcão apelidado de "Cabeça de Diamante"? Cratera acima, demos a sorte de pegar uma carona... mas que tipo de carona mesmo, vou deixar pra reportagem de domingo. Só posso adiantar que foi inesperada! E a subida... Bem, deixa esse sofrimento "na carne" também para o Fantástico... E vamos ver se, pelo menos hoje à noite, eu pego um showzinho de hula... Mundo, Quarta-feira, Maio 26, 2004 Aloha! Tudo bem, eu tentei fugir do cliche... Mas ele estah por toda a parte... Do aeroporto de Honolulu a recepcao do nosso hotel - que tem "aloha" ateh no nome (tambem tem a palavra surf no nome, o que estah me deixando um pouco desconfiado...). "Aloha!" estah por toda a parte e nao adianta resistir... Vou ser breve (sei que parece desculpa facil..), mas eh que hoje fiquei respondendo os emails do pessoal que escreveu depois da reportagem para o Fantastico (eh bem legal ver como as pessoas veem o resultado daquilo que elas nem imaginam - e nem precisam imaginar - o trabalho que deu pra fazer; pode mandar mais!!). Rapidamente, acordamos aas quatro da manha na Cidade do Mexico, pegamos dois voos (conexao em San Francisco, EUA) e chegamos em Honolulu antes das 2h da tarde - mesmo tendo viajado quase 12 horas. Mas onde esses fusos horarios vao parar?? Daqui a pouco vamos atravesar a linha do tempo (seguimos sempre para o Oeste, lembra?) e um dia inteiro ai embora do nosso calendario... Bom, devo estar delirando. Deve ser o perfume do meu colar de flores (duvida? entao espere soh ateh domingo...). Amanha eh acordar cedo, pois tem muita coisa pra explorar por aqui. Mundo, Domingo, Maio 23, 2004 Olha a camisa dele!! Bem, agradecendo aos que votaram para a gente ir agora para o Havaí, assumo desde já um compromisso: a primeira providência ao chegar por aquelas bandas vai ser comprar uma camisa tipicamente havaiana para não parecer muito que eu sou um turista. Ou será que a camisa havaiana vai justamente me fazer parecer um turista?? Bom, tanto faz. Só não reclamem do visual... Amanhã, correria para acertar a viagem. Big Kahuna, aqui vamos nós!! Mundo, Sábado, Maio 22, 2004 Até agora estava fácil... De volta à Cidade do México... Bem, vindo de Oaxaca, parece que chegamos em Nova York (de vez em quando faz bem uma cidade grande...). Agora é correr para colocar a matéria no ar... Ah, se fosse tão simples quanto escrever essa última frase. Vocês querem os detalhes técnicos? Vou dar uma resumida. Basicamente, temos que selecionar as melhores imagens na câmera, colocar dentro do computador, comprimir essas imagens, conectar numa banda larga e... mandar pra emissora aí no Brasil... Simples, não é? Não tem ironia nisso não, é simples mesmo. Só não é muito rápido... Nos testes que fizemos ao longo da semana, foram horas e horas para mandar apenas algumas imagens. E dá-lhe ¿chá de cadeira¿ nos cyber cafés de Oaxaca... Hoje, vamos conhecer algumas das melhores casas do ramo aqui na capital. Pra encarar a espera, o primeiro livro que encarei na viagem ¿ e que é genial. Chama-se ¿Random Family¿, e conta a história de duas famílias latinas no bairro do Bronx, Nova York, nos anos 80 e 90. Isto é, se é que pode se chamar aquilo de família... Drogas, crimes, sexo, prisão, muito dinheiro, pouco dinheiro, famílias desestruturadas, filhos, filhos, filhos... É um registro tão impressionante de como as coisas podem dar errado que fico tentado a fazer uma pesquisa parecida no Brasil (veja só... eu já pensando em projetos para depois da Volta ao Mundo...). Vamos lá, livro embaixo do braço (esqueci de mencionar a autora, Adrian Nicole LeBlanc), passar o dia pageando o computador ¿ se não, o que vocês vão ver no Fantástico amanhã? (aliás, só pra fazer mais uma perguntinha... para onde será que vocês vão mandar a gente amanhã?). Mundo, Sexta-feira, Maio 21, 2004 Milho, milho, milho! Pode chamar de ¿quesadillha¿, ¿tortilla¿, ¿tamale¿ ¿ é tudo milho! Depois das investidas gastronômicas da Cidade do México ¿ que estavam mais para um ¿esporte radical¿ do que para uma refeição ¿ fui apresentado aqui para a cozinha mexicana mais, digamos, palatável. E é uma delícia ¿ só que é tudo feito com milho... Sorte de quem gosta (como eu). Mas seria uma injustiça começar a descrever Oaxaca pelos seus pratos. A cidade é bem bonitinha e, pelo menos no centro histórico, tão pacata quanto uma cidade do interior do Brasil. Tem ruas de pedestres, ideais para apreciar a arquitetura, que é bem hispânica. É preciso explicar que esses quarteirões são guardados do resto da cidade, que é até grande. Mas nesse oásis colonial, com igrejas em vários quarteirões, a gente encontrou um pouco de paz. Aliás, quem viaja muito sabe que igrejas podem ser uma armadilha: lindos monumentos para se visitar ou (na maioria das vezes) apenas uma fachada interessante com nada por dentro. A catedral de Santo Domenico, felizmente, faz parte das exceções: toda dourada por dentro, com esculturas e pinturas riquíssimas ¿ a mais curiosa de todas, uma árvore genealógica da família de Dom Félix de Guzmán, o pai de fundador da ordem dos dominicanos!! ![]() Mas não é hora de aula de história ¿ deixa eu contar mais da nossa empreitada aqui em Oaxaca, que continuou no dia seguinte (ontem) estrada afora, não sem antes a gente alugar um transporte típico: um fusca!! 2002, lindão!! Com ele que fomos (com a ajuda de um mapa bastante duvidoso) até Mitla, que fica mais pro Leste de Oaxaca. O que queríamos lá? Ver finalmente ruínas da civilização Zapateca, que vivia aqui antes dos espanhóis chegarem. Eles estavam em constante guerra com os Aztecas (atenção, não confunda!!) pelo território mexicano, mas aqui, nessa região, eles dominavam. E nem precisamos chegar a Mitla pra ver prova disso: no meio da estrada, fizemos uma parada em uma escavação chamada Yagul ¿ um verdadeiro labirinto de galerias e corredores. Quando chegamos a Mitla (é tudo bem perto, 20 quilômetros ou menos de um lugar a outro), as ruínas já nem eram mais novidade. O que eu gostei mesmo por lá foram os ¿camelôs¿. E foi num deles que eu experimetei manga com ¿chili¿ ¿ sim ¿chili¿, pimenta. E não pense que eu achei ruim, não... Tanto que até repetia dose, com abacaxi (que não estava tão gostoso...). A senhora, ou melhor, ¿la senora Rocel¿, que nos serviu, mandava bem no zapateco ¿ um dialeto antigo que, segundo ela, não se escreve, não se ensina nas escolas ¿ e até me ensinou a falar o nome de algumas frutas ¿ mas, por favor, não me peça para repetir nenhuma delas... Mundo, Quinta-feira, Maio 20, 2004 A vingaça de Montezuma Nao me lembro bem onde vi essa brincadeira - talvez em algum guia engraçadinho de viagens. Mas dizem que todo turista no México conhece a "vingança de Montezuma" depois de provar a cozinha local. Bem, amigos, eu a conheci. Recapitulando: minha última mensagem concluía inocentemente com um comentário sobre a pimenta nas refeiçoes por aqui... Bem, antes fosse esse o problema. Depois daquelas horas infindáveis de aviao, tudo que eu queria era "comida de verdade". E foi isso que fui procurar na capital. ¿Mas será que eu precisava experimentar "pancita de bue"? ¿O que é isso? Bem, você vai ter de esperar o Fantàstico nesse domingo pra ver, mas posso adiantar que é das poucas coisas cujo visual na panela reflete a experiência no paladar, ou seja, uma temeridade. Felizmente o mercado popular que fomos na Cidade do México oferecia outras iguarias: uma paella mexicana, por exemplo; ou uma trouxinha de carne de carneiro (tudo bem que estava embrulhada num saquinho de plástico, mas estava uma delícia...). No final, acabei misturando tantas "iguarias" que o resultado digestivo só poderia ter sido, digamos, turbulento. ¡E viva Montezuma! Com esse "lanchinho", nos despedimos da capital e à noite voamos para Oaxaca. Só a promessa de passar quatro noites (pelo menos) num só lugar já me anima... E em Oaxaca, as coisas começaram a ficar mais tranquilas, como eu já mando no próximo boletim. Agora, vou dar um tempo para enviar - também pelo computador - algumas das imagens em vídeo que já estamos fazendo por aqui. ¡Já volto! (adoro esse computador daqui que já insere as exclamaçoes e interrogaçoes invertidas automaticamente... em compensaçao, se você reparou, esse teclado onde estou trabalhando nao tem tecla para o sinal do til... tem até uma para a letra ene com o til, assim: ñ... mas til sozinho, que é bom, vou ficar devendo) Mundo, Terça-feira, Maio 18, 2004 Receita de primeiro dia Não vou esconder que tinha uma expectativa de muitas histórias para contar já no primeiro dia da nossa Volta ao Mundo... Mas, se alguém me perguntasse agora como foi esse primeiro dia... a resposta seria: "Fiz muito check-in e muito check-out"... Sério! Para conseguir pegar todas as conexões e chegar na Cidade do México o mais rápido possível, pegamos três vôos, fomos a Miami e Washington, nos EUA, e só ontem lá pelas 11h da noite chegamos aqui. Considerando que saímos do Rio às 22h do domingo, e que a diferença de fuso horário aqui é duas horas para trás, viajamos... mais de 24 horas!! Você reparou que eu usei a expressão "o mais rápido possível"? Agora... para Oaxaca mesmo, só hoje (terça) à noite. Assim, com o dia inteiro para preencher aqui na capital, a pedida vai ser explorar a culinária local (ainda bem que eu sou fã de pimenta!!). Mundo, Domingo, Maio 16, 2004 Descendo a Montanha Russa É agora! Estamos saindo da Redação do Fantástico, direto para o aeroporto aqui no Rio mesmo! Não dá nem pra conversar de tão nervoso - e isso não é figura de linguagem!!! Tô esperando seu voto - seja pra onde for! Tchau! Mundo, Sexta-feira, Maio 14, 2004 Subindo a Montanha Russa Até bem pouco tempo, quando alguém perguntava sobre a Fantástica Volta ao Mundo, eu respondia: "Ah, faltam dois meses... Falta um mês... Ainda faltam quinze dias...". Mas agora faltam apenas horas... E não dá mais para disfarçar. A sensação é literalmente aquela da subida da montanha russa: você sabe que falta pouco para o carrinho despencar ladeira abaixo... E tudo que você pode fazer é prender a respiração. No caso da Volta ao Mundo, não vou poder nem fechar os olhos! É embarcar neste domingo e esperar as aventuras. As horas estão indo embora em questão de minutos - menos de 60 para cada uma delas, eu tenho a impressão. E a sensação é de que não vai dar tempo de arrumar as coisas. Não é só mala não! É equipamento, documento, procuração (a vida prática no Brasil vai ficar suspensa por quatro meses!) - tudo parece que tem de estar organizado, para a gente poder embarcar tranquilo. Mas eu já sei que não vai estar tudo (tudo mesmo) amarradinho antes da noite do domingo. Tudo bem, acho que essa é uma das regras dessa viagem: contar com os imprevistos (e com o improviso). Aliás, para quem está preocupado de que não vai ter tempo de fazer tudo que quer antes de sair pelo mundo, esse texto já está ficando um pouco longo demais... Próximo "sinal de vida"... sei lá! Agora é com você! |
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